Na primeira reunião com os nossos orientadores de projecto (Óscar Mealha e Ana Veloso) foram discutidos textos que procuravam esclarecer problemáticas referentes ao público-alvo (público sénior). Assim sendo, decidimos deixar no blog um resumo que procura caracterizar o nosso público-alvo:
A utilização das TIC pela terceira idade, prende-se fundamentalmente com a procura natural desta faixa etária, por alcançar alguma qualidade de vida. Estes pretendem afastar-se da dependência que a velhice lhes exige. Daí terem necessidade de colmatar a falta de mobilidade que possuem.
Todavia, ao procurarem utilizar quer o computador, quer a Internet deparam-se com várias limitações. As principais são:
Medo que possuem de errar;
Trabalhar e perceber a lógica do uso de pastas;
Lidar com a abundante informação;
Fazer download e upload de ficheiros;
Escrever;
Limitações físicas (visão);
Menor destreza, rapidez;
Efectuar pesquisas;
Perceber o vocabulário específico;
Utilização de diferentes sistemas operativos/browsers.
Assim, existem algumas estratégias que visam minimizar estas limitações. No que se refere ao tipo de ensino que é utilizado para os idosos, este caracteriza-se por responder a questões colocadas pelos mesmos, tendo que anotar cada passo que é realizado. Porem, este método nem sempre se torna eficaz, dado que por exemplo ao utilizarem o sistema operativo/browser diferente do utilizado no momento da explicação, estes vão encontrar um problema e provavelmente não conseguirão resolver sem ajuda.
Idosos com Alzheimer e outras demências
Pessoas diagnosticadas com Alzheimer têm problemas de memória, atenção, linguagem e orientação.
A investigação realizada para avaliar a acessibilidade dos Sites que cedem informações sobre demência aos utilizadores, diagnosticados com a doença, revelou-se importante para entender que existem sintomas diferenciados de pessoa para pessoa.
Se fizermos um estudo aos variados sites a que temos acesso é possível concluir que uma pessoa sénior, com pouca formação informática, terá dificuldades em navegar, ler, ou compreender metáforas visuais e os típicos interfaces. Esta situação agrava-se quando direccionado a pessoas com Alzheimer e outras demências.
Alm et al foi um programa elaborado para conjugar texto, fotografia, vídeo e música sendo organizados estes elementos duma forma simples para verificar se idosos conseguiam trabalhar com o programa. Este projecto foi visto com bons olhos por a população idosa, tornando-se um sucesso.
Assim, pode-se dizer que o design direccionado a esta faixa etária deve ser familiar, legível, com formas acessíveis a nível psicológico, permitindo que ao entrarem em contacto com o produto se sintam confortáveis e seguros.
As tecnologias para pessoas com demência continuam a não ser uma coisa clara, contudo não se pode descurar o esforço e interesse que revelam ter para aprender e navegar.
Assim sendo, as associações dedicadas a esta doença convidaram pessoas diagnosticadas com Alzheimer para realizarem este estudo, tendo criado nos seus sites secções apropriadas e dedicadas aos diagnosticados com a doença.
Apesar das ajudas de usabilidade, o design simples e a representação do histórico em sub-menu, meios de que foram do agrado dos doentes, a realidade é que as pessoas continuaram a ter algumas dificuldades em navegar de uma forma coerente e correcta. Referiu-se, ainda, o facto de ansiarem que não fosse criada apenas uma página propícia à navegação por parte deles, mas sim o site inteiro nestes formatos.
Pode-se concluir que apesar deste estudo referir-se a um extremo, a realidade é que a análise do texto permite verificar quais são os problemas comuns na navegação por parte dos idosos, o que se pode fazer para diminuir tais assimetrias.
As tecnologias da informação e comunicação na terceira idade e na demência
Cada vez mais na nossa sociedade existe o desejo de permanecer no nosso meio ambiente durante toda a nossa vida. Este desejo não é oriundo apenas dos mais velhos ou daqueles que sofrem de condições crónicas de longo prazo, mas também de uma grande parte da população que antecipam o futuro em termos de previsão médica. Isto, em parte, devido ao facto de a esperança média de vida ter aumentado (apesar do decréscimo da natalidade), o que por sua vez acrescenta mais encargos nos campos social e de saúde. O apoio médico possível de ser prestado a uma pessoa em sua casa passa por três hipóteses: apoio formal, apoio informal por parte de amigos ou de família, ou apoio institucionalizado (permanente ou a longo prazo), mas estão a acontecer grandes avanços na instalação de tecnologia directamente em casa e não só, especialmente nos campos da tecnologia computacional e das telecomunicações. As “Smart Homes” fornecem ajuda inteligente ao nível físico e cognitivo e novos modelos de cuidado médico e de monitorização de pacientes estão a ser cada vez mais utilizados graças à Internet e à tecnologia nela baseada. As tecnologias da informação e da comunicação podem portanto, ser utilizadas para melhorar a experiência e a qualidade de vida das pessoas dentro do seu próprio ambiente e não só, através de três formas: suporte nas tarefas quotidianas e acesso a informação sobre como lidar com um problema médico específico, restaurar ou melhorar uma determinada função (em caso de reabilitação, motiva o esforço físico), como medida de prevenção e detecção de condições médicas proporcionando algum tempo prévio de reacção.
Apesar de cada vez mais as tecnologias da informação e da comunicação serem utilizadas, ainda existem algumas questões a resolver antes da instauração total deste tipo de tecnologias, como por exemplo: como integrá-las nos sistemas já existentes, quem financiará estes novos serviços, a resistência por parte dos trabalhadores da área social e de saúde, e até mesmo a garantia da satisfação dos utilizadores. A tecnologia pode nem sempre ser bem recebida por parte de quem a utiliza devido à sua falta de estabilidade, ao seu custo elevado, à dificuldade de utilização e à sua maldição histórica de não conseguir responder totalmente às necessidades e expectativas dos seus utilizadores. A resolução deste último factor é crucial e requer a utilização de processos de design centrados no utilizador. Tendo isto em consideração e reconhecendo a relação entre a idade e o aumento de doenças, condições médicas e incapacidades a diversos níveis, reconhecemos a capacidade incrível das soluções possibilitadas pelas tecnologias da informação e da comunicação na manutenção e melhoramento das capacidades físicas, assim como mentais de pacientes nas suas próprias casas e não só.
No entanto, existe sempre a dúvida: Será que os utilizadores das tecnologias da comunicação e da informação, especialmente os mais velhos e doentes, conseguirão utilizar tecnologia computacional? Num estudo apresentado por Shapira et al., destinado a perceber se estes utilizadores específicos teriam as capacidades necessárias para se servirem dos serviços oferecidos pela Internet após um programa de treino estruturado, a conclusão foi de que em comparação com uma amostra que não passou pelo treino, os utilizadores sentiram-se mais bem dispostos e detentores de um acréscimo de poder pessoal, assim como menos sozinhos e menos deprimidos. Após um estudo mais específico, constatou-se que apesar destas tecnologias de comunicação e de informação realmente reduzirem a solidão dos seus utilizadores, apenas o fazem em certas categorias denominadas como “emocionais”, mas fornecem os recursos necessários para que aqueles se possam ajudar a sim mesmo.
Design de interfaces para séniores
Após alguns estudos, verificou-se que a maioria dos adultos com mais de 60 anos indicavam o e-mail como principal ferramenta da Internet e identificaram como principal objectivo do seu uso, a possibilidade de ultrapassar problemas de mobilidade.
Tendo por base vários testes efectuados nesta população, definiram-se um conjunto de guidelines/estratégias para a criação de interfaces adequadas às suas necessidades e especificidades.
Essas estratégias passam por fornecer pouca informação em cada página e apenas a informação mais relevante; apresentar formatos consistentes ao longo da aplicação, nomeadamente no que diz respeito a mensagens de erro ou de confirmação; organizar a informação por grupos naturais de percepção; hierarquizar a informação de acordo com a sua importância, colocando a mais importante em maior destaque e em locais mais visíveis; apresentar opções de localização de informação como mapas de sites e históricos de navegação; usar icons facilmente identificados e relacionados com a realidade do público-alvo; mostrar ao utilizador qual a página onde se encontra actualmente; evitar jargão técnico e linguagens complexas; minimizar o apelo à memória; evitar scrolls automáticos; apresentar feedback para todas as acções do utilizador; usar uma linguagem simples e familiar; minimizar erros, através de janelas de confirmação; apresentar um sistema adaptável e flexível a cada nível de utilizador; verificar se existe tempo suficiente e adequado para respostas a questões ou campos de pesquisa; usar operações consistentes em toda a aplicação; e, por fim, mas não menos importante, disponibilizar sistemas de ajuda on-line e documentação de suporte.
Para além do design, é necessário ter em conta e garantir o sentimento de segurança, privacidade e qualidade de vida, essenciais nestas idades.